segunda-feira, 23 de julho de 2007

Perda...


Perda...

Incoerente a sensação da perda.
A cada dia até mesmo a dor definha.
A saudade impera, as lembranças avivam,
E a presença faz sentido, sentida...
Chorar é não deixar doer, e doe...
Dor amarga, fel-da-terra ou ferida.
Mesmo o pranto límpido faz renascer
A angustiante sensação de perder,
E dilacera o coração que, em frangalhos
Pulsa e luta, apesar de sofrer.
Tentando vencer o vazio acolhe migalhas,
Fragmentos de contentamentos não contidos.
Sorriso débil entremeado à boca,
Vindo do nada, indefinido e mantido,
E mesmo assim cresce o vazio...
Como uma chaga aberta, úlcera exposta,
Arqueja exaurida que feche em cicatriz,
Que finde o pesar, cesse o vácuo,
E que o gosto amargo então desapareça.
Por fim, a contraditória sensação:
Perder e sentir, que poderia ser dissipada,
Agora, aliada à vida segue contígua,
Disfarçada em nostalgia, arraigada,
Porém oculta como raiz.

R.Cássia Púlice

sábado, 7 de julho de 2007

Ainda bem...


Ainda bem...

Ainda bem que somos sensíveis,
Sensíveis à dor, ao sofrimento,
E principalmente ao amor.
Ainda bem que percebemos,
O quanto ainda podemos,
Demonstrar nosso carinho,
Dar um beijo amigo, e silenciar...
Em respeito mútuo, juntos se preciso for.
Ainda bem que o tempo passa,
E leva com ele a tristeza,
Diminuindo a incerteza
E o tamanho da dor.
Ainda bem...

R.Cássia Púlice